Ao deixar de cantar

Luís Delfino (1834–1910)

Para que o ouvisse toda eternidade,Começara a lidar segunda-feiraAté domingo, em frente a ti, na leira,Cantando tua loira mocidade,

Sem te pedir um beijo só: não há de,Dona de tudo quanto é bom e cheira,Alguém pedir-te cousa que não queiraQualquer deus para si, mesmo a piedade?

Mas logo que emudeça, então, querida,Abrirá, como um sol, uma feridaEm ti, tardo sinal do teu afeto:

E hei de ouvir teu lamento, como o gritoQue solta o oceano a dar contra o granito,Com que o monte lhe rasga o flanco inquieto...