Dolor

Luís Delfino (1834–1910)

Nas manhãs largas de Janeiro passoÀs vezes triste pelo campo em fora:Por que há mais brilho no esplendor da aurora?Por que cantam mais pássaros no espaço?

Ela ao meu lado, então lhe aperto o braço:E agora inquieto, e mais irado agora,Sinto que um fogo interno me devora,E ouço um rir de ironia a cada passo.

Fala-lhe o lírio, as mãos beija-lhe a rosa;O sol a envolve, e eu sei que é de justiça,Numa grande arcaria luminosa.

E vendo a luz... a própria luz submissa,Ela da mágoa dos meus zelos goza,E eu sofro a dor de tudo que a cobiça.