O crime da primavera

Luís Delfino (1834–1910)

Vamos depressa, que arde tudo; vamos:Lá funambula saturnal tremenda;Haja somente ali quem os entenda,Que há de ouvir os tiés e os gaturamos

Sob os arcos, que alonga o bosque em tenda,Vaiando a dança e os ósculos dos ramos;Cobrem mesmo da moita a verde rendaLargos idílios de répteis, que odiamos.

O campo é um vasto leito de noivado:Fala-se baixo, o riso é soluçado,A voz das cousas trêmula e queixosa.

Do conúbio a açucena melindrosaVai da açucena dar um céu ao prado;Quantas rosas vão vir de uma só rosa!