O forte
A Machado de Assis
O varão forte mutilado a meioÉ qual Deus, que o escultor em pé levanta,Nessa atitude respeitosa e santaQue a pedra guarda no divino seio.
O bárbaro pisou-o sob a planta;Lançou-o o tempo ao chão, qual fraco esteio;Mas o mármore — um dia — ergue-se, e cantaBelo, como das mãos de Fídias veio.
Basta que caia a gota de água em cima,E que um raio de sol a enxugue instantes,Para irromper a sonorosa rima
Do coro dessas linhas cintilantes;E no meio da luz, que o beija e anima,O Deus de pedra inda é maior que dantes.