Terror

Luís Delfino (1834–1910)

Quando vejo o teu corpo doentioTremer, como haste branda a vento forte,Amortalha-me um hirto calafrio,Como se me tocasse a asa da morte.

Um pensamento lôbrego e sombrioDe alguém, que o doce e tênue fio corteDe tua vida, assalta-me; mas rio,Pensando que hei de ter a mesma sorte.

Tu não podes descer à sepultura,Sem que leves as horas de ventura,Que em ti achou minha alma, um vasto arneiro.

Em teu trespasse, pois, quando tu fores,Morram os sóis no céu, no campo as flores...E, olha, espera, até logo, eu vou primeiro...