Jesus ao colo de Madalena
A Guilherme Bellegarde
Jesus expira, o humilde e grande obreiro!...Sobem já, pela cruz acima, escadas;E nos cravos varados do madeiroBatem os malhos, cruzam-se as pancadas.
Ouve-se o choro em torno. — As mãos primeiro,Inertes, caem no ar dependuradas;A fronte oscila; arqueia o tronco inteiroNos braços das mulheres desgrenhadas.
Soltam-se os pés. — Aumenta o pranto e a queixa.Só Madalena ao oiro da madeixaLimpa-lhe a face, que de manso inclina.
E no meio da lágrima mais linda,Com o dedo erguendo a pálpebra divina,Busca ver se Ele a vê... beijando-o ainda!...