Rigores de Anarda na ocasião de um temporal

Manuel Botelho de Oliveira (1636–1711)

Agora o Céu com ventos duplicados,E com setas de prata despedidas,Se enfurece com nuvens denegridas,E se irrita com golpes fulminados.

Quando Anarda em tormentos desprezadosFulmina nas finezas padecidasOs raios dos rigores contra as vidas,As nuvens dos desdéns contra os cuidados.

Mas ũa, e outra tempestade encerraDiverso mal nas amorosas calmas,Ou quando forma da borrasca a guerra:

Porque perdendo Amor ilustres palmas,Aquela é tempestade contra a terra,Mas esta é tempestade contra as almas.