As Formigas

Olavo Bilac (1865–1918)

Cautelosas e prudentes,O caminho atravessando,As formigas diligentesVão andando, vão andando ...

Marcham em filas cerradas;Não se separam; espiamDe um lado e de outro, assustadas,E das pedras se desviam.

Entre os calhaus vão abrindoCaminho estreito e seguro,Aqui, ladeiras subindo,Acolá, galgando um muro.

Esta carrega a migalha;Outra, com passo discreto,Leva um pedaço de palha;Outra, uma pata de inseto.

Carrega cada formigaAquilo que achou na estrada;E nenhuma se fatiga,Nenhuma para cansada.

Vede! enquanto negligentesEstão as cigarras cantando,Vão as formigas prudentesTrabalhando e armazenando.

Também quando chega o frio,E todo o fruto consome,A formiga, que no estioTrabalha, não sofre fome ...

Recorde-vos todo o diaDas lições da Natureza:O trabalho e a economiaSão as bases da riqueza.