O Boi

Olavo Bilac (1865–1918)

Quando ainda no céu não se percebe a aurora,E ainda está molhando as árvores o orvalho,Sai pelo campo aforaO boi, para o trabalho.Com que calma obedece!Caminha sem parar:E o sol, quando aparece,Já o encontra, robusto e manso, a trabalhar.Forte e meigo animal! Que bondade serenaTem na doce expressão da face resignada!Nem se revolta, quando o lavrador, sem pena,Para o instigar, lhe crava a ponta da aguilhada.Cai-lhe de rijo o sol sobre o largo cachaço;Zumbem moscas sobre ele, e picam-no sem dó;Porém, indiferente às dores e ao cansaço,Caminha o grande boi, numa nuvem de pó.Lá vai pausadamente o grande boi marchando...E, por ele puxado,Larga e profundamente o solo retalhando,Vai o possante arado.Desce a noite. O luar fulgura sobre os campos.Cessa a vida rural.Há estrelas no céu. Na terra há pirilampos.E o boi, para dormir, regressa ao seu curral...