Os Amores da Abelha

Olavo Bilac (1865–1918)

Quando, em prônubo anseio, a abelha as asas soltaE escala o espaço, - ardendo, êxul do corcho céreo,Louca, se precipita a sussurrante escoltaDos noivos zonzos, voando ao nupcial mistério.

Em breve, sucumbindo, o enxame arqueja, e volta...Mas o mais forte, um só, senhor do excelso império,Segue a esquiva, e, em zunzum zeloso de revolta,Entoa o epitalâmio e o cântico funéreo:

Toca-a, fecunda-a, e vence, e morre na vitória...A esposa, livre, ao sol, no alto do firmamento,Palra, e, rainha e mie, zumbe de orgulho e glória;

E, rodopiando, inerte, o suicida sublime,Entre as bênçãos da luz e os hosanas do vento,Rola, mártir feliz do delicioso crime.