Só (Olavo Bilac)
Este, que um deus cruel arremessou à vida,Marcando-o com o sinal da sua maldição,- Este desabrochou como a erva má, nascidaApenas para aos pés ser calcada no chão.
De motejo em motejo arrasta a alma ferida...Sem constância no amor, dentro do coraçãoSente, crespa, crescer a selva retorcidaDos pensamentos maus, filhos da solidão.
Longos dias sem sol! noites de eterno luto!Alma cega, perdida à toa no caminho!Roto casco de nau, desprezado no mar!
E, árvore, acabará sem nunca dar um fruto;E, homem, há de morrer como viveu: sozinho!Sem ar! sem luz! sem Deus! sem fé! sem pão! sem lar!