Ritmo Eterno

Pedro Kilkerry (1885–1917)

Abro as asas da Vida à Vida que há lá fora.Olha... Um sorriso da alma! — Um sorriso da aurora!E Deus — ou Bem! ou Mal — é Deus cantando em mim,Que Deus és tu, sou eu — a Natureza assim.

Árvore! boa ou má, os frutos que darásSinto-os sabendo em nós, em mim, árvore, estás.E o Sol, de cujo olhar meu pensamento inundo,Casa multiplicando as asas deste mundo...

Oh, braços para a Vida! Oh, vida para amar!Sendo uma onda do mar, dou-me ilusões de um mar...Alvor, turquesa, ondula a matéria... É veludo,

É minh'alma, é teu seio, e um firmamento mudo.Mas, aos ritmos da Terra, és um ritmo do Amor?Homem! ouvir a teus pés a Natureza em flor!