O meu soneto

Reliquiae, 1934

Em atitudes e em ritmos fleumáticos,Erguendo as mãos em gestos recolhidos,Todos os brocados fúlgidos, hieráticos,Em ti andam bailando os meus sentidos...

E os meus olhos serenos, enigmáticos,Meninos que na estrada andam perdidos,Dolorosos, tristíssimos, extáticos,São letras de poemas nunca lidos...

As magnólias abertas dos meus dedosSão mistérios, são filtros, são enredosQue pecados d’amor trazem de rastos...

E a minha boca, a rútila manhã,Na Via Láctea, lírica, pagã,A rir desfolha as pétalas dos astros!...

De Reliquiae (1934, colección póstuma), a partir de la transcripción de Wikisource en portugués.

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